por Renata Reis

Deus sempre tem um propósito na vida de quem o busca. Deus jamais abandona os seus filhos. Nós é que nos afastamos Dele. Deus está a todo instante, ao nosso lado, jamais se esqueçam disso. Só Ele cura, só Ele restaura e nos dá a vida eterna. Meu nome é Renata Reis, tenho 38 anos de idade, sou casada há 20 anos e tenho duas filhas. Uma com 19 anos, e a outra com cinco aninhos. Foram três anos de namoro, e já estava noiva há um ano, com a data do casamento marcada para dezembro do ano seguinte. Mas engravidei em janeiro, no mesmo ano que eu iria me casar. Então tivemos que antecipar tudo, e casamos no mês de maio. Já estava com cinco meses de gravidez, mas minha barriga ainda não aparecia.

Quando inteirei oito meses de gestação, tive um descolamento de placenta e uma hemorragia. Eu não estava acostumada com a família do meu marido, eram muitas brigas violentas, nós morávamos em um barracão no mesmo lote que os pais dele e os irmãos, casados e solteiros. Passamos por um grande risco, eu pela hemorragia e minha filha, pois, se demorasse muito a chegar ao hospital, poderia faltar oxigenação no cérebro. Mas graças ao nosso bom Deus, Ele cuidou de nós, ainda não era à nossa hora de ir embora desse mundo.

Depois de dois anos de casados, vieram as turbulências. Meu marido me agredia verbalmente, todos os dias. E a violência na família dele aumentava cada vez mais, ao ponto de um esfaquear o outro. Eu já não aguentava mais, de madrugada acordávamos com gritos por causa das brigas. Então sugeri ao meu marido que saíssemos dali já que nós pagávamos o aluguel do barracão à mãe dele, poderíamos pagar em outro lugar mais tranquilo, pois nossa filha já estava ficando traumatizada. Mas infelizmente a resposta que eu tive dele, foi que nós nunca sairíamos de lá. Foi quando o meu chão se abriu e os meus sonhos caíram juntos. E dali para frente, foi só piorando. Ele passou a me proibir de sair de casa. Na época eu ainda estudava, fazia magistério estava no último ano. Então só ia para a escola e voltava para casa.

Assim que eu me formei, as agressões aumentaram ao ponto dele me jogar contra a parede, foi onde eu decidi me separar. Juntei as minhas coisas e da minha filha e voltei para a casa da minha mãe. Mas minha mãe me surpreendeu, ela não me aceitou de volta. Ela me disse que o meu lugar, era do lado do meu marido. Mesmo eu contando tudo o que ouve ela não me aceitou. Pediu meu marido, que me levasse de volta. Então, mais uma vez, eu perdi o chão e cai em um posso sem fim. O meu marido aproveitou da situação, e começou a me trancar em casa. Eu não tinha a quem pedir ajuda muito menos chamar a polícia, pois ele é policial militar.

Na época, não existia a lei Maria da Penha, então, literalmente, comecei a comer o pão que o Diabo amassou. A minha mãe me ameaçava dizendo que iria me tomar minha filha, que iria ao conselho tutelar e faria o que fosse preciso, então comecei a tentar tirar minha própria vida, porque até a minha filha eu estava perdendo. Peguei o revólver dele, e me tranquei no banheiro. Ele tentou arrombar a porta, mas não conseguiu. E quando eu atirei, o revólver travou. Mais uma vez, Deus interveio a meu favor.

Depois da tentativa de suicídio, as coisas se acalmaram um pouco e meu marido até construiu uma casa, muito boa, em cima da casa da mãe dele para morarmos, mas a tranquilidade não durou muito tempo e logo, logo as coisas ficaram ainda piores. Eu já não tinha mais vida, eu vegetava, eu já não acreditava mais em Deus, já tinha perdido toda a minha fé. Minha sogra não gostava de mim, e os vizinhos é que me ajudavam. Achava que Deus havia me abandonado, então comecei a tentar novamente tirar minha vida, pois a minha mãe, todos os finais de semana, levava minha filha para a casa dela e eu a buscava no domingo, ou na segunda feira. Foi quando eu não aguentei mais. Na minha casa, meu marido me agredia, na casa da minha mãe, ela me xingava. Então certo dia, esperei meu marido ir trabalhar, desci para a avenida com a minha filha, e fiquei aguardando alguma carreta pesada passar, para me jogar debaixo dela. Sempre segurando forte a mão da minha filha que na época tinha apenas três aninhos, fiquei observando vários caminhões pequenos passarem, mas eu queria uma coisa maior e mais pesada, para morrer mais rápido. Foi quando avistei, vindo à minha direção, uma carreta enorme carregando tonéis de aço, então decidi que era aquela. Comecei a me aproximar mais da beirada da rua para me jogar debaixo dela. Foi nesse momento que minha filha segurou forte a minha mão, e com os olhinhos cheios de lágrimas me disse: “E eu mamãe?” Foi como se ela já soubesse o que eu iria fazer. Ela continuou dizendo: “Vamos pra casa” e começou a me puxar. Eu olhei firme nos olhos dela, a peguei no colo, abracei muito forte e voltamos para casa. E foi a partir daí, que Deus abriu os meus olhos e tomei uma decisão sobre a minha vida.

Cheguei a prantos em casa, ajoelhei, pedi perdão a Deus, e pedi uma direção a ser tomada. Voltei a ter fé, me fortaleci em Cristo Jesus, passei a frequentar a igreja, coloquei minha filha na escolinha da igreja, para ocupar o tempo dela e também aprender o certo. Comecei a tirá-la aos poucos da casa da minha mãe, e a assumir o meu lugar de mãe e esposa. Sempre jejuando e orando. Então, em meio a essa busca por Deus, minha filha começou a ver vultos e um bicho muito feio com chifres dentro de casa. Era assim que ela dizia. Nessa época descobri que a minha sogra, frequentava centros de macumba. Então, tomei a decisão de que ali não ficava mais. Então orei e jejuei e pedi a Deus que nos tirasse dali. Começamos a procurar um lote para comprar, mas nada dava certo. Tentaram nos passar a perna ,e venderam o mesmo lote para três pessoas. Iríamos ficar sem o dinheiro, mas Deus interveio e nos ajudou. Já estávamos esgotados de procurar. Foi aí que apareceu um colega de trabalho do meu marido, e nos ofereceu este lote onde estamos até hoje morando. Ele precisava ir embora para outra cidade, e nos vendeu. Um dia antes de fechar o contrato e conhecer o local, pedi muito a Deus, que dessa vez desce certo. Quando chegamos no local, e eu vi o lote, comecei a ficar toda arrepiada e os meus olhos se encheram de lágrimas, era o único lote florido. Tinham flores de vários tipos. Os outros lotes tinham matos bem altos. Então compramos e conseguimos esconder da mãe dele, por três anos. Até juntar o dinheiro para começar a construir. Foi quando um certo dia, o carteiro colocou a minha correspondência na casa da minha sogra. Ela descobriu do lote, e a minha vida novamente voltou a virar um inferno.

Ela esperava meu marido ir trabalhar e começava a me insultar do quintal dela. Falava para Marcelo, meu marido, que ele não iria ficar casado por muito tempo, que ela iria acabar comigo. E os meus vizinhos me avisavam, quando viam a minha sogra na rua fazendo os despachos. Eu redobrava o jejum e as orações e foi assim que Marcelo chegou ao limite, e decidiu que sairíamos dali. Com dois meses, o pedreiro construiu três cômodos pra gente, e nós nos mudamos. Mas o que era para serem dias de paz e tranquilidade virou dias de tormentos. A mãe dele começou a nos perseguir. A jogar coisas no meu quintal preparadas nos centros de macumba para me atingir. A minha cachorrinha me impediu de passar no local, onde estava o preparado que a minha sogra jogou e morreu no meu lugar. Minha sogra fez de tudo para Marcelo perder o emprego, mas Deus não permitiu. Meu marido começou a beber e eu me sentia fraca, mas Deus mudou nossa história e quebrou as forças da minha sogra, não permitindo que nenhum mal nos acontecesse. Hoje, infelizmente, ela é uma pessoa doente e não acredita em Deus.

A vida continuou e chegou o tempo do Senhor agir na vida do meu marido, e para restaurar a fé dele e dar uma chacoalhada, Deus agiu. Eu engravidei novamente e só descobri a gravidez quando já estava de quase quatro meses. Menstruei normal durante três meses e só sentia cansaço e falta de ar. Fiz todos os exames direitinho, estava tudo normal. Mas quando descobrimos o sexo do bebê, só deu pra ver com sete meses de gestação, Marcelo se frustrou, porque era mais uma menina. Então ele começou a me agredir verbalmente, eu comecei a repreender e a não aceitar. Pedi a Deus que desse uma lição nele. Então Deus usou a minha filha, que estava no meu ventre.

Os problemas começaram ainda antes do parto. Na semana que eu iria ganhar minha filha, as minhas plaquetas começaram a cair. O mínimo que as plaquetas podem chegar, segundo os médicos era 150, para que se pudesse fazer o parto. As minhas já estavam chegando a 72. Era necessário que se estabilizassem acima de 100, pois é grande o risco de hemorragia com as plaquetas abaixo deste número. Então me internaram numa quinta-feira para aguardar o recebimento das bolsas de plaquetas, vindo do hemominas, mas quando as bolsas chegaram e começaram a injetarem em mim, o resultado não foi o esperado, em vez de aumentar minhas plaquetas, elas caiam cada vez mais. Então pela segunda vez, cancelaram o meu parto. No terceiro dia, comecei a ter fortes contrações. Amigos e familiares começaram a me ligar dizendo que estavam tendo sonhos terríveis comigo. Sonhando até com demônios, mas que era para eu ficar tranquila porque todos estavam orando por mim e Deus jamais iria me abandonar nessa hora. Então três igrejas entraram em oração por mim. Os médicos arriscaram injetar, quatro bolsas de plaquetas de uma só vez e correram comigo para a sala de cirurgia, onde, graças a Deus, correu tudo bem e tranquilo, até retirarem minha filha da minha barriga. Nunca vi tanto médico na minha vida.

Quando ela nasceu, foi um choque para todos. Até para os médicos. Ela nasceu com uma deficiência na perna direita. O joelho dela era atrás, e a perninha dela dobrava para frente, e o pezinho ficava debaixo do queixo, como se fosse uma mão. Então os médicos conversaram comigo, eu sem entender nada, ainda na mesa de cirurgia, quando eles abriram o pano e me mostraram a minha filha. Foi um choque para mim. Aí eu me lembrei do que havia pedido para Deus e aceitei sem questionar. Não imaginei sequer que a lição que Deus daria em meu marido, seria usando a minha filha. Passou um flash, em minha mente, como se fosse um filme e enxerguei a minha filha, com uns cinco anos de idade em uma cadeira de rodas. Mas aceitei-a assim sem reclamar. Então os médicos foram até o meu marido, e o mostraram a nossa filha. Marcelo entrou em desespero e saiu correndo pelos corredores do hospital e os enfermeiros atrás dele, tentando contê-lo e acalma-lo. Foi essa chacoalhada que ele precisava para acordar para a vida.

Foi então que me levaram para o quarto, meu marido em choque. Eu tentando acalma-lo dizendo que eu estava bem. E ele implorando, me pedindo perdão, por tudo de ruim que ele havia me feito. Só vi minha filha, no dia seguinte. Meu marido, depois que acalmou, foi até a incubadora ver nossa filha. Quando minha filha chegou ao quarto, ela estava com a perninha engessada. Ficamos quinze dias no hospital. Ela precisou tomar oito injeções de vitamina K, pois o organismo dela não estava produzindo essa vitamina. Ela também precisaria de uma cirurgia na perninha, para conserta-la, mas uma perna iria ficar maior que a outra. Iria usar bota ortopédica o resto da vida, mas iria andar. Recebemos alta, fomos para casa já com a consulta com o especialista e cirurgião marcada. No dia da consulta, minha filha, estava deitada na minha cama, enquanto a gente se arrumava para ir para a primeira avaliação com o cirurgião. Foi quando deu um estalo muito forte, na perninha dela, que se assustou e deu um gemido, mas voltou a dormir. Ela estava com 20 dias de nascida. Então fomos para o hospital, e quando o médico nos atendeu e retirou o gesso, ele perguntou o que ela tinha, pois a perna dela era perfeita não tinha nada de errado. Ele perguntou quem foi que o havia indicado pra gente e o motivo de estarmos ali. Então pegamos o RX e mostramos e ele não acreditou. Disse que se nós acreditávamos em Deus, poderíamos ajoelhar e agradecer, pois ela não tinha nada.

Foi a partir daí, que minha vida começou a mudar. Casamento restaurado, família restaurada e abençoada. Com tudo isso que aconteceu, o meu cabelo caiu, não todo, mas uma grande quantidade, ainda estou em tratamento. Não tenho mais sobrancelhas, tive que tatuar, e meus cílios também caíram. Mas eu não me importei e nem me abalei. Pois tenho Deus em minha vida, e O coloco na frente de todas as minhas decisões. Hoje tenho a minha auto estima lá em cima, sou extrovertida ,brincalhona demais, sempre levo alegria para quem está ao meu redor. Temos uma ótima casa, um bom carro, meu marido foi promovido e vivemos com as graças de Deus. E estamos planejando ter mais um filho. Eu e minha mãe reconstruímos nosso relacionamento e hoje somos amigas. Claro que ainda continuo passando por algumas lutas, pois o inimigo jamais quer ver a felicidade e as bênçãos que as pessoas adquirem, mas nada comparado com o que eu já passei. E estou enfrentando tudo isso, com muita fé e sempre acreditando que Deus está no controle de tudo e que eu vou vencer. Essa é a história da minha vida. Espero poder ajudar muitas pessoas com esse testemunho. E não se esqueçam: orações, jejum, persistência, fé, perseverança e Deus no comando sempre.

Que Deus abençoe a todos vocês.