por Fabiana Menezes

"Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros." Gálatas 5:26

Nossa Alma está encardida pela vanglória, mas é importante nos lembrarmos que tudo provém de Deus. Tudo vem Dele, pois "Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do Alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há oscilação como se vê nas nuvens inconstantes." (Tg 1:17). Se temos ou recebemos algo, isso procede de Deus (Jo 3:27). O céu é a fonte: "Um homem não pode receber coisa alguma, a não ser que lhe tenha sido dada do céu." (Jo 3:27).

Nós temos três desejos básicos na vida: ter prazer, obter coisas e realizar coisas. Se esses desejos nos dominam podemos ser enredados pela inveja, cobiça, orgulho, competição e outros pecados: "Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm, porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres." (Tg 4:2-3). São os "atalhos" que tomamos que nos levam a sair do caminho da cruz. Tudo que nós desejamos conseguir tem que ser através da cruz, temos que entregar a Deus antes. Devemos sempre nos perguntar: "A quem vamos prestar culto com o que desejamos conquistar? Qual a nossa verdadeira motivação?" O erro está em atribuir a nós uma glória que só pertence a Deus; toda glória pertence a Ele: "para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor." (1 Co 1:31). É apenas no caminho e nos propósitos de Deus que teremos a aprovação de Deus.

Onde há inveja existe divisão, perturbação e obra perversa: "Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa." Tiago 3:14-16

O que tem realmente valor para nós é onde investimos o nosso coração: "Onde está o nosso coração é onde está o nosso tesouro" (Mc 6:21) e "Do coração procedem as saídas da vida" (Pv 4:23). Nosso coração pode nos enganar se confiarmos nos nossos sentimentos. O coração é enganoso, desonesto, competitivo, inclinado a algo sem percebermos as armadilhas. Todo sentimento e pensamento deve ser sujeitado a lógica de Deus e aos Seus princípios. De Deus não se consegue esconder nada; Deus tudo sabe, tudo vê. Todos os nossos sentimentos, desde os mais ocultos aos mais visíveis; como a teimosia, o nervosismo, o mau caratismo, a infidelidade, a inveja, a cobiça, o egoísmo, nenhum está encoberto aos Seus olhos (Hb 4:13).

Deus sabe como lidar com nossas motivações erradas e corrompidas. Quando invertemos princípios, sacrificamos relacionamentos e não ouvimos sábios conselhos, renegamos a vontade de Deus. Quando nossas motivações estão movidas pelo dinheiro, pela inveja, cobiça e ganância e avareza, barganhamos os princípios espirituais do Reino de Deus. A palavra de Deus nos adverte: "Cuidado com as raposinhas que destroem as vinhas..." (Ct 2:15). As raposinhas devastam, destroem, arrasam as vinhas que estão em flor, isto é, prontas para frutificar. Caçar as coisas grandes é mais fácil, porque as reconhecemos rapidamente, mas as coisas pequenas muitas vezes não aparecem nitidamente, ficam escondidas na nossa alma e por isso precisamos que Deus sonde o nosso coração e nos revele os sentimentos ruins que existem em nós (Sl 139:23,24). Deus pode curar o caráter adoecido quando O buscamos de todo coração, com transparência, humildade e sinceridade para que sejamos curados e libertos de sentimentos negativos e destruidores como a inveja, o rancor e a ira: "O rancor é cruel e a fúria é destruidora, mas quem consegue suportar a inveja?" (Pv 27:4). Nada é impossível para Deus, para Ele tudo é pequeno e fácil.

Joyce Meyer, em um dos seus devocionais, relata ter sentido inveja em um determinado momento da sua vida : "Gastei muitos anos da minha vida sendo ciumenta e invejosa de qualquer um que parecesse melhor do que eu ou que tivesse talentos que eu não tinha. Secretamente, eu vivia em competição com outros ministérios. Era importante para mim que "meu" ministério fosse maior em qualquer tamanho, mais bem frequentado, mais próspero, etc., do que o de qualquer outra pessoa. Se o ministério de outra pessoa superasse o meu em qualquer aspecto, eu queria me sentir feliz por aquele indivíduo porque sabia que era a vontade e a maneira de Deus, mas alguma coisa em minha alma simplesmente não o permitia. Enquanto o inimigo puder se esconder em nossa alma, ele sempre terá a certa parcela de controle sobre nós. Mas, quando Deus o expõe, estaremos a caminho da liberdade se nos colocarmos nas mãos dEle e Lhe permitirmos fazer rapidamente o que Ele deseja." Joyce Meyer" - "Evite a competição mundana" - Devocional "Um novo dia, um novo você".

Deus não faz acepção de pessoas (At 10:34). Não precisamos tentar conquistar o amor de Deus nem dos outros através da competição e do perfeccionismo. O amor de Deus não é condicional, nem baseado no nosso perfeccionismo. Deus nos criou e nos ama como somos. Paternidade e filiação não mudam. O amor de Deus é incondicional, mas Suas promessas são condicionais. O caminho da aprovação são as provações, mas Deus promete estar conosco em cada passo do caminho. Quanto mais lutamos pela aceitação dos outros, mais somos vencidos pela rejeição e perdemos as batalhas. O segredo não é lutar, mas descansar em Deus. Aprender a sermos nós mesmos. Jesus nos liberta da rejeição, dos padrões e das exigências do mundo.

O que agrada a Deus é um coração quebrantado, contrito, obediente e humilde. Deus procura pessoas que possam ser a resposta, colocar-se na brecha, estar na posição de intercessor, reconciliador e pacificador para ser resposta para os conflitos, maldições, guerras, inimizades e invejas. Quando Deus nos acha na brecha, com o coração reconciliador de um intercessor, Deus nos dá autoridade sobre espíritos que estão manipulando pessoas e circunstâncias (Ez 22:30).

A inveja mata; pois pode levar alguém a matar seu próximo (1 Jo 3:12), ela é a podridão dos ossos (Pv 14:30), por que enfraquece a vida, debilita a saúde e rouba a paz. Mas a gratidão é salvação, saúde e cura (Sl 50:23). Ser grato é o remédio para muitos males. A gratidão é o termômetro da nossa saúde espiritual. Quando não existe gratidão é por que existem áreas infeccionadas em nossa Alma. A gratidão é o antídoto para a auto-piedade e para a inveja. Quanto mais somos gratos mais alegria teremos. A gratidão distingue a pobreza da miséria e é um dos maiores segredos da prosperidade espiritual e material. A ingratidão e a murmuração nos leva ao caminho oposto. A crítica é o vomito da ingratidão. A ingratidão sustenta o espírito de miséria. Mas a gratidão é a memória do coração curado.

Todos nós precisamos desenvolver uma "atitude de gratidão" em todo tempo (1 Ts 5:18). Não é somente agradecermos pelas coisas boas que temos e que nos acontecem, mas sim sermos gratos em todas as circunstâncias. É fácil agradecer pelo alimento nas refeições, pela cama confortável, pelo banho quente e tantas outras bençãos que temos todos os dias e que as vezes até passam sem gratidão por que nos acostumamos com elas. Mas a gratidão se exercita também quando não temos o que desejamos, e até quando experimentamos a escassez e a tribulação. Jesus era grato em toda circunstância: "Na noite em que Jesus foi traído, partiu o pão e agradeceu a Deus por ele." (1 Coríntios 11:23-24).

Agradecer em todas circunstâncias é contentamento. O contentamento é a recompensa da gratidão. Um coração grato abre portas para Deus operar. Apagamos o Espírito com nossa ingratidão, nossa inveja, nossas reclamações e murmurações, mas quando temos um coração grato Deus nos responde.

A tribulação nos amadurece, as lutas fortalecem a nossa fé, a alegria nos dá esperança, a perseverança aprimora a paciência, o perdão liberta, a graça nos dá o que não merecemos. Seja grato!

"Inveja é ficar ressentido com a bondade de Deus na vida de outras pessoas." Pr. Josemar Bessa

"Existe três cachorros perigosos: a ingratidão, a soberba e a inveja. Quando mordem deixam uma ferida profunda." Martinho Lutero

Na fé,