“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” (Filipenses 4:12)

Caros irmãos,

Hoje quero falar sobre um fato que muito me preocupa. Diversos brasileiros já receberam o 13º salário, outros ainda irão receber, e sempre observo o mesmo problema na maioria das famílias: o péssimo uso desse dinheiro extra. Pode parecer incrível, mas um ganho que serviria para ajustar as finanças de fim de ano, em alguns casos, se torna até mesmo em dívida.

Entorpecidos pelo ganho extra, os brasileiros partem às compras e gastam esses valores – e muito mais – sem o menor planejamento. Esbanjam a alegria hoje, sem se preocupar com o amanhã. Sei que a tentação do consumo é grande, mas também sei que foi a tentação que expulsou Adão e Eva do paraíso; todo cuidado é pouco.

Podemos fazer um paralelo desse trecho bíblico a nossa realidade, na qual o fruto proibido a que estamos expostos é representado pelas inúmeras mensagens que impulsionam nossas compras. Se cairmos nessas tentações, iremos nos endividar, tendo que passar por provações desnecessárias.

Assim sendo, acho importante algumas orientações antes de sair gastando esse recurso. Primeiramente, lembro que pagar dívida com o 13º salário é combater somente o efeito do problema financeiro. Com essa atitude, estará mascarando o real e verdadeiro problema: a ausência de educação financeira em toda a família.

Lógico que o valor pode auxiliar, mas as dívidas devem ser pagas normalmente com o próprio salário, ou seja, com a redução nos gastos. É muito provável que pessoas que estejam nessa situação não estejam respeitando o próprio padrão de vida, então, mais do que pegar um dinheiro extra para pagar é preciso reavaliar toda a situação e buscar uma verdadeira mudança de comportamento.

Também deve ser evitado o ato de ir compulsivamente às compras de fim de ano. Antes disso, faça um diagnóstico da sua situação financeira. Relacione todas as despesas fixas e variáveis para descobrir o comprometimento dos seus ganhos com as dívidas e investigue a fundo para onde está indo cada centavo dos seus ganhos.

Felizmente, nem todos estão endividados. Quem está numa situação mais confortável, de equilíbrio financeiro, mas ainda não tem o hábito de poupar, pode aproveitar o 13º salário para iniciar uma reserva financeira e manter essa prática de poupar, talvez até investindo e multiplicando os recursos.

Para quem já tem perfil investidor, o 13º salário é oportunidade para incrementar o investimento. Metade dele pode ser destinada para alguma aplicação que a pessoa já possua e os outros 50% podem servir para planejar um salto em direção à independência financeira, aplicando, por exemplo, em previdência privada.

E lembre-se: fim de ano também é tempo de fazer planos para o futuro. Aproveite para reunir a família, inclusive as crianças, conversar sobre o que querem realizar nos próximos anos. Definam três sonhos prioritários que tenham diferentes prazos a serem realizados – curto (até um ano), médio (até dez anos) e longo (acima de dez anos). Esse será um fator de motivação para ajustar e conduzir o orçamento familiar.