VIDA EM MEIO À MORTE

Um exemplo vivo de fé e inspiração. Um testemunho de morte que tem trazido vida para milhares de pessoas de várias partes do Brasil e do mundo. Se muitos não entendem porque determinadas situações trágicas atingem certos cristãos, Deus sabe o motivo de elas acontecerem. E isso basta.

Talvez a família Leite tenha entendido o agir de Deus no momento em que a caçulinha Clara Mendes Castro Leite, de 5 anos, não sobreviveu a um grave acidente de carro na tão famigerada BR-381, no trecho que liga Belo Horizonte ao Vale do Aço, na madrugada do dia 16 de janeiro de 2014. Além da pequena, estavam no carro seus pais, Josué Leite, de 45 anos, e Tatiana Mendes Castro Leite, de 37, pastores na capital mineira, e as irmãs da vítima, Laura, de 13, e Paula, de 8. O casal está à frente da Missão Vitória da Igreja Batista Getsêmani, na região Nordeste da cidade.

O relógio marcava quase 0h40. O carro conduzido pelo pastor seguia para a cidade de Nova Era, onde as meninas passariam o restante das férias escolares na casa de parentes maternos. Ao passar por João Monlevade, na altura do quilômetro 361 da rodovia, o motorista perdeu a direção do veículo e “patinou”. “Não entendi o que estava acontecendo. Só depois vi que era óleo derramado na pista”, diz o pastor. O carro colidiu de frente com um caminhão e, com o impacto, partiu ao meio.

As meninas estavam no banco detrás. Josué Leite se recorda de que ele e a esposa se viraram, mas não viram o restante do veículo. A parte onde estavam as filhas foi parar no matagal. A dianteira do carro, com o casal, voltou para a estrada.

Clarinha, como era carinhosamente chamada pelos familiares e irmãos em Cristo, teve a cabeça esmagada, e morreu na hora. Laura e Paula ficaram em estado grave. As duas foram socorridas no hospital de João Monlevade, com risco de morte. O casal de pastores não ficou ferido. Mas, segundo Josué, um outro caminhão vinha na direção deles e conseguiu frear, fechando a pista. “Vejo que foi a mão de Deus. Também poderíamos ter morrido”, diz.

PAZ NO CORAÇÃO

Quem estava no local do acidente não acreditava na serenidade do pastor, e questionava como um pai poderia estar calmo naquele momento, vendo uma das filhas mortas e as outras duas bastante machucadas. Os veículos de comunicação que cobriram o caso relataram que ele andava de um lado para outro, dizendo: “Estou tranquilo, viu gente? Sou pastor e Deus já está me confortando. Foi uma fatalidade e agradeço a Deus porque poderia ter sido pior. Felizmente o restante da família está bem”.

Mal sabiam esses profissionais que Deus estava no controle de toda a situação. Laura teve que retirar o baço às pressas. “Ele explodiu. Deus foi tão maravilhoso que direcionou até o atendimento médico. Na urgência, o médico abriu rapidamente e pode ver que a hemorragia interna poderia matar a minha filha, que já estava morrendo, caso o órgão não fosse retirado”, conta o pastor.

Paula apresentou lesões graves no pulmão, e os médicos não viam outra saída a não ser retirar o órgão. Apenas alguns dias depois, o milagre: o pulmão da garota foi regenerado. “O que só acontece com o fígado. Glória a Deus por tudo, ao nosso Deus Jeová Rafá! Um médico nos disse que, em 20 anos de carreira, nunca tinha visto algo do tipo”, comemorou Josué nas redes sociais. Cerca de 20 dias depois, as meninas começaram a receber alta médica: primeiro a Laura, depois a Paula.

EDIFICAÇÃO

Por meio da história de milagre e de vida da família Leite, muitas pessoas estão sendo alcançadas pelo Senhor Deus. E tudo começou após o acidente. A caminho do hospital, com as duas filhas correndo risco de morte, Tatiana falou do amor de Deus para os paramédicos da ambulância.

O motorista dizia que ela estava em estado de choque. A pastora respondia que não. Ele repetiu isso mais duas vezes, justificando que nenhuma mãe ficaria normal vendo a filha morta e as outras duas em estado grave. “Ela respondeu, com muita serenidade, que estava bem, que Deus estava no controle de todas as coisas. Se isso estava acontecendo, era a vontade de Deus”, conta Josué.

Ainda no local do acidente, o pastor também falava sobre Jesus. Para ele, o que mais impressiona são os milagres e o livramento de Deus na vida da família. “Em todos os momentos tivemos paz. Era o Espírito Santo cuidando de nós. Eu falava que se Deus quisesse, Ele iria levar Paula e Laura. Mas se elas ficassem aqui, elas não teriam nenhuma sequela. E elas não tiveram”.

“Como diz a Palavra, para um grão de trigo produzir frutos, é necessário que ele morra. Estamos vendo o que aconteceu conosco dessa forma. Agradecemos a Deus pela vida da Clarinha, e nos lembramos de Jó quando ele diz 'Deus deu, Deus tomou'. Não vemos a morte da nossa filha como uma fatalidade. A morte da Clarinha trouxe muitos frutos”, afirma.

Pelo Facebook do pastor, as mensagens chegam praticamente o dia inteiro. Muitas pessoas agradecem o exemplo de vida da família, a conduta cristã, e pedem orações. “Temos orado bastante por muitas vidas. Pessoas estão sendo curadas. Glória a Deus!”, agradece.

Toda a história da família poderá ser conferida em breve no livro “Paz no vale da sombra da morte”. A publicação começou a ser escrita logo após o acidente e foi finalizada no dia 11 de fevereiro. “Ele conta em detalhes a experiência maravilhosa que vivemos com Deus nesses últimos dias”, observa. 

 

por Renata Galdino